CLAUDIA XIMENEZ

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Possui Graduação em Pedagogia pela UNESP(1991),Especialização em Psicopedagogia pela USP (1993), Mestrado em Psicologia da Educação pela USP (2001)e Doutorado pela UNESP (2013). Sou Profa Adjunto no Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), junto à área de Psicologia Educacional, desde 2001. Em meu percurso profissional, atuei como Psicopedagoga Clínica e Institucional em instituições públicas paulistas (São José dos Campos, Bebedouro e Ribeirão Preto) durante 7 anos; Fui Docente na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e na Universidade Estadual Paulista (UNESP) em 2001; Docente e Orientadora de Monografias em Cursos de Especialização na área de Psicopedagogia ; Coordenei um Programa de Extensão, "Ludoteca", onde desenvolvi estudos e orientei monografias, TCCs e bolsistas na tematica "Brincar na Infância em contextos educativos não-formais". Tenho experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Brincar na Infancia; Ludicidade e Formação de Professores; Memória Lúdica de Professores e implicações na pratica e concepções docente; Cinema e Infância; http://lattes.cnpq.br/1868082043428099

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cineclube Cinema Aberto, divulgando um cineclube com propostas educativas...

Sessão de cinema discute a educação brasileira, em Foz do Iguaçu, no Paraná. 

13/09/2011, Foz do Iguaçu-PR

Cinema Aberto


Segundo diferentes pesquisas, há uma diminuição no número de salas de cinema em todo o país. As que existem, são principalmente as instaladas em espaços de shopping centers. Com o avanço dos meios tecnológicos, filmes de todos os gêneros podem ser assistidos pela internet ou no aparelho DVD. Assim, participar de uma sessão de cinema coletiva, em espaço público, ao lado de várias outras pessoas, consiste em uma ousadia,uma transgressão, mais que um programa cultural.

Essa é ideia do Cineclube Cinema Aberto, que oferece sessões gratuitas de cinema, a cada início de mês. As exibições acontecem no Teatro Barracão, e após a projeção das películas acontece um bate-papo livre e aberto, sem nenhuma outra pretensão que não seja a troca de impressões, sensações e ideias sobre o filme, o seu contexto e tudo o mais que possa representar o interesse das pessoas.


Neste sábado, acontece mais uma edição do cineclube, com o filme “Pro dia nascer feliz”, documentário nacional, produzido em 2006, pelas mãos do diretor João Jardim. O filme reflete sobre as relações e implicações do processo ensino-aprendizagem na vida de adolescentes e jovens. Trata-se de um amplo e sensível retrato sobre a educação no Brasil, a partir de depoimentos de estudantes, professores e demais profissionais da escola.

“A educação e a escola são temas centrais para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade como um todo. Nós, trabalhadores da educação, vamos participar dessa discussão promovida pelo cineclube, esperando contribuir para envolver os diversos segmentos sociais na reflexão e na busca de alternativas para melhorar a escola pública e torná-la mais democrática e participativa, diz Mirian Takahashi, que é pedagoga e diretora da APP/Sindicato.

Após o filme, a mediação do bate-papo será realizada pela professora Silvana de Souza, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), docente do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste/Foz).

O documentário “Pro dia nascer feliz” identifica diferentes estágios da oferta da educação, nas várias regiões do Brasil e as agruras provocadas pela desigualdade social brasileira, que promovem exclusão social e cultural, além da violação dos direitos sociais básicos. O filme pode ser definido como um diário de acompanhamento e observação das práticas realizadas no ambiente escolar por estudantes e professores. O dia-a-dia, as manifestações transversais, reuniões pedagógicas, a subjetividade e os conflitos que deságuam na escola.

O Cineclube Cinema Aberto é realizado através da parceria entre as associações culturais iguaçuenses Casa da América Latina, Associação Guatá e Casa do Teatro. Com atividades mensais, desde o final do ano passado, o cineclube reúne estudantes e professores universitários e do ensino médio de diversas instituições iguaçuenses, jornalistas, artistas, produtores culturais e ativistas sociais.


O projeto oferece a projeção gratuita de filmes que abordam a realidade social e cultural, principalmente, envolvendo os países e os povos latino-americanos. O encontro propõe a reflexão sobre obras ou seus respectivos contextos históricos e sócio-culturais, os realizadores do filmes ou ainda, a produção cinematográfica situada abaixo da linha do Equador.


SERVIÇO:

Sessão gratuita de cinema

Documentário “Pro dia nascer feliz”

Quando: sábado, 17 de setembro, 2011, às 19 horas

Onde: Teatro Barracão – Praça da Bíblia

Entrada gratuita

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O cinema e suas leituras possíveis no campo da educação: Implicações na formação e na prática docente

Divulgando:

O PET Pedagogia, da Unesp Araraquara, realizará entre os dias 19 e 22 de setembro de 2011 o “V Ciclo de Seminários em Educação: Trabalho Docente e os Desafios Contemporâneos”.

Nele, estarei ministrando juntamente com o Prof. Dr. Denis Domeneghetti Badia (UNESP Araraquara) e Profª Ms Alessandra Gomes (Doutoranda em Educação da UFSCar), o Curso de Extensão "O cinema e suas leituras possíveis no campo da educação: Implicações na formação e na prática docente".

petpedagogia.orgfree.com
PET Pedagogia Unesp Araraquara

V Ciclo de Seminários em Educação:
Trabalho Docente e os Desafios Contemporâneos

Programação

Dia 19/09 - Segunda-feira

19h às 19h30Anfiteatro A – Abertura Solene
19h30 às 23hMesa Redonda: Dilemas e desafios da educação contemporânea
Profª Drª Maria Jose da Silva Fernandes (UNESP Bauru)
Profª Drª Emília Freitas de Lima (UFSCar São Carlos)
Profª Drª Maria Regina Guarnieri (UNESP Araraquara)

Dia 20/09 - Terça-feira

14h às 18hSala 30 – Oficina: Tendências teóricas na prática pedagógica Waldorf
Profª Drª Ana Luisa Ventura Vieira Pereira (Professora no ensino fundamental na escola Waldorf – Aitiara – Botucatu SP)
14h às 18hSala 31 – Curso de Extensão Temático: Trabalho docente e materiais didáticos
Profª Drª Rosilene Batista de Oliveira Fiscarelli (UNESP Araraquara)
14h às 18hAnfiteatro D - Curso de Extensão Temático: O adolescente infrator e os desafios da Educação
Profª Drª Ruth Estevão (USP Ribeirão Preto)
19h às 23hAnfiteatro A – Mesa Redonda: Família Escola e Sexualidade
Profª Drª Ana Cláudia Bortolozzi Maia (UNESP Bauru)
Prof. Dr. Geraldo Romanelli (USP Ribeirão Preto)
Profª Drª Silvia Regina Ricco Lucato Sigolo (UNESP Araraquara)

Dia 21/09 - Quarta-feira

14h às 18hSala 30 – Oficina: Tendências teóricas na prática pedagógica Paulo Freire
Prof. Dr. Francisco José Carvalho Mazzeu (UNESP Araraquara)
14h às 18hSala 31 - Curso de Extensão Temático: Desenvolvimento infantil: Reflexões teóricas e prática pedagógica
Profª Drª Eliza Maria Barbosa (UNESP Araraquara)
14h às 18hAnfiteatro D - Curso de Extensão Temático: O cinema e suas leituras possíveis no campo da educação: Implicações na formação e na prática docente
Prof. Dr. Dênis Domeneghetti Badia (Docente UNESP Araraquara)
Profª Ms Alessandra Gomes (Aluna de Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSCar)
Profª Ms Claudia Ximenez Alves (Aluna de Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar da FCL – UNESP – Araraquara).
19h às 23hAnfiteatro A – Mesa Redonda: Educação Quilombola e do Campo: Desafios e Perspectivas
Profª Drª Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (UFSCar)
Prof. Dr. Luiz Bezerra Neto (UFSCar)
Prof. Dr. Dagoberto José Fonseca (UNESP Araraquara)

Dia 22/09 - Quinta-feira

14h às 18hSala 30 – Oficina: Tendências teóricas na prática pedagógica Montessori
Márcia Balbão (Coordenadora pedagógica da Educação Infantil no Colégio Santa Úrsula – Ribeirão Preto/ SP)
14h às 18hSala 31 – Oficina: A musicalização na educação
Grupo Profª Drª Ilza Zenker Leme Joly (UFSCar)
14h às 18hAnfiteatro D - Curso de Extensão Temático: Inclusão escolar e aprendizagem acadêmica
Profª. Drª Maria Julia Canazza Dall´Acqua (UNESP Araraquara)
19h às 19h30Anfiteatro A – Evento Cultural: O Bando do Tiê Preto
Sarau Vinícius de Moraes
19h30 às 23hAnfiteatro A – Palestra de Encerramento: Comunicação inter-geracional como ingrediente da indisciplina escolar: Novos condicionantes próprios à cultura multimidiática
Prof. Dr. Luiz Antônio Calmon Nabuco Lastória (UNESP Araraquara)

Realização:

PET Pedagogia Unesp Araraquara

Apoio

  • Departamento Ciências da Educação
  • Departamento Psicologia da Educação
  • Departamento de didática
  • PROEX
  • SAEPE

Compartilho e indico a leitura deste texto...com a devida referência...

http://www.blogacesso.com.br/?p=3180 

Cinema e educação: reflexões sobre arte e sociedade 

Por Blog Acesso

Charles Chaplin, Bonequinha de luxo, D. W. Griffith, Irmãos Coen, O Mágico de Oz.
O que têm em comum esses nomes? Em diferentes épocas, cineastas e filmes fizeram da sétima arte mais do que entretenimento, levando à população educação e informação.

Desde o fim do século 19, quando as primeiras sequências fílmicas foram apresentadas pelos Irmãos Lumière, o cinema encantou as pessoas, com sua capacidade de criar universos inesperados e até de mostrar novos ângulos de situações e lugares conhecidos. Porém, o que para uns representava fascínio, para outros soava como um mecanismo de alienação.

Esse contraponto levou estudiosos, cineastas e artistas do mundo inteiro ao debate sobre a relação entre o cinema e o posicionamento crítico do espectador – ou, de forma mais objetiva, entre o cinema e a educação. Eles perceberam que essa relação não só é importante, como fundamental para o futuro do cinema e do desenvolvimento sociocultural da população.

Segundo o estudo A Educação pelo cinema, realizado pelos pesquisadores Gabriela Domingues Coppola, Gabriela Fiorin Rigotti e Carlos Eduardo Albuquerque Miranda, a indústria cinematográfica sempre foi considerada “um poderoso instrumento de educação e instrução”, até mesmo por produtores e diretores.

Para os pesquisadores, o cinema coloca as questões do mundo numa seqüência que não se destina apenas à compreensão da história que está sendo narrada. “Este arranjo fílmico é um arranjo didático, em que o espectador, ao concentrar-se na história, aprende a olhar para o mundo, criando com as imagens uma visão de mundo”, explicam.

Sobre o assunto, Mônica Fantin, do Núcleo Infância, Comunicação e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, vai além. Para ela, a relação entre cinema e educação pode ser entendida a partir de dimensões estéticas, cognitivas, sociais e psicológicas. “Isso porque, ao analisar o cinema como um meio de contar histórias com imagens, sons e movimentos, mais do que a consciência, atinge-se os âmbitos social, político e cultural de cada pessoa.

A experiência estética tem um respeitável papel na construção social e pessoal de significados de jovens e crianças”, afirma em Da mídia-educação aos olhares das crianças: pistas para pensar o cinema em contextos formativo. Do conceito à experiência concreta, o Cineduc, entidade sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro, criou uma metodologia de ensino e sensibilização para capacitar professores ao trabalho com as linguagens audiovisuais nas escolas.

Segundo Elisabete Bullara, secretária executiva da Organização, é importante modificar o processo educativo por meio do desenvolvimento da consciência crítica e da expressão criativa, “mas antes disso, é preciso democratizar o acesso ao cinema. Por isso, promovemos festivais periódicos com entrada franca”, comenta.

Diretor e professor de cinema, Marcos Pimentel concorda que a formação de público no Brasil é realmente necessária, mas acha que a ação não pode ser tratada de forma isolada. Para ele, o aprendizado cinematográfico é fundamental para o desenvolvimento tanto do cinema quanto da sociedade. “Falamos de analfabetos funcionais, de pessoas que assinam o próprio nome mas não sabem o que lêem. Porém, nos deparamos cotidianamente com analfabetos sócioculturais, pessoas incapazes de enxergar o que está por traz da história de um filme”.

Engajado em movimentos como o Festival Cineport – evento que reúne, anualmente, produções cinematográficas de países de língua portuguesa, do qual é coordenador –, Pimentel acredita que o papel do cinema é gerar mudanças. “Com o desenvolvimento de uma linguagem audiovisual e de um público qualificado, formaremos pessoas mais conscientes de seus próprios atos, construtoras da identidade cultural de sua nação, autores de sua própria história”, afirma.

Dez anos atrás, o filósofo Edgar Morin escrevia a pedido da UNESCO o texto Os sete saberes necessários à educação do futuro. Nele, o pensador afirmava: “A redução do outro, a visão unilateral e a falta de percepção sobre a complexidade humana são os grandes empecilhos da compreensão. Outro aspecto da incompreensão é a indiferença. E, por este lado, é interessante abordar o cinema, que os intelectuais tanto acusam de alienante.

Na verdade, o cinema é uma arte que nos ensina a superar a indiferença, pois transforma em heróis os invisíveis sociais, ensinando-nos a vê-los por um outro prisma”.

Luíza Costa / blog Acesso

Tags: A Educação pelo cinema, arte, Carlos Eduardo Albuquerque Miranda, cineduc, cinema, cineport, cultura, Edgar Morin, educação, Gabriela Domingues Coppola, Gabriela Fiorin Rigotti, Marcos Pimentel, Mônica Fantin, Os sete saberes necessários à educação do futuro

Blogs que julgo interessantes, que compartilho e indico!

http://culturamidiaeducacao.blogspot.com/
Mídia e Educação - Um blog para quem se interessa pela relação mídia e educação, leitura, infância e educomunicação. Autoria: Brasília, DF.


http://www.blogacesso.com.br/
"o blog da Democratização cultural" (slogan do blog)  
O blog Acesso é uma iniciativa do Instituto Votorantim.



http://www.socine.org.br/livros.asp
Publicações interessantes para o publico interessado pelo tema no campo da Educação


Cinema e Sociedade - Breves Análises Fílmicas
http://cinemamanifestacaosocial.blogspot.com/
Autoria: Nildo Vianna
Sociólogo e filósofo, Professor da UFG - Universidade Federal de Goiás, autor de diversos livros e artigos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Indico a leitura da tese e respectivo grupo de pesquisa da Profa. Dra. Fabiana de Amorim Marcello que discute relações entre cinema e infância

AUTOR: Fabiana de Amorim Marcello

NÍVEL: Doutorado

TÍTULO: Criança e imagem no olhar sem corpo do cinema

ORIENTADORA: Prof.ª Rosa Maria Bueno Fischer

PERÍODO DE REALIZAÇÃO: 2004-Atual

INSTITUIÇÃO: Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS

RESUMO: A partir do entendimento de que o conceito de educação merece ser ampliado, vista que a mídia exerce uma função nitidamente pedagógica, apoio-me em autores como Friedrich Nietzsche, Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari para problematizar os conceitos de criança e de imagem no cinema. Nesse sentido, o que interessa capturar no domínio estético-cinematográfico é justamente aquilo que ele torna visível a partir da relação entre criança e imagem. Buscar o que as imagens (e sua relação com a criança) tornam visível é diferente de perguntar o que elas representam em sua (e como) totalidade. Imagem e criança são importantes aqui somente pela singularidade que expressam (em sua combinação) e não por aquilo de universal que podem sugerir. Mais diretamente, formulamos da seguinte maneira o objetivo principal desta pesquisa: investigar não uma vontade de verdade sobre a infância (o que implicaria em descrever como se organizam os saberes que a definem como uma etapa da vida), mas a vontade de potência afirmativa da imagem cinematográfica da criança. Ou seja, ao invés de pensarmos no sentido de um ponto de convergência de uma identidade reconhecível e/ou a ser reconhecida, onde características da criança repousariam tranqüilamente, trata-se de efetuar um deslocamento em favor da justamente sua dispersão. O corpus de análise desta pesquisa é composto por um conjunto de 30 filmes, selecionados a partir de um critério que os define como tendo sido dirigidos por cineastas que se tornaram, de algum modo, "instauradores de discursividades" em relação à criança. Os diretores a quem nos referimos são: Jacques Feyder, Charles Chaplin, Jean Vigo, Vittorio De Sica, Roberto Rossellini, François Truffaut, Louis Malle, Andrei Tarkovski, Luigi Comencini, Hector Babenco, Ingmar Berman, Steven Spilberg, Lasse Hallström, Abbas Kiarostami, Jafar Panahi e Walter Salles. Metodologicamente, a análise desse material será feita partindo, inicialmente, dos conceitos de multiplicidade, encontro (ou composição) e função anômalo – tal como discutidos por Gilles Deleuze e Félix Guattari. Entende-se, assim, que os filmes dizem respeito a multiplicidades irredutíveis à identificação, à idéia de universalidade e de fixidez. Ao operarmos com esses conceitos estaremos comprometidos com a descrição dos encontros e das composições que estão em jogo nesses materiais e em que medida as crianças neles apresentadas são atravessadas por uma função anômalo que as desestabilizam radicalmente. Assim, a proposta é que se possa investir no estudo sobre esse campo, e que, a partir da análise deste material, se possa construir argumentos para pensar a imagem cinematográfica não como aquela que meramente representa uma faixa etária específica, mas como aquela que tensiona o próprio conceito de criança, sobretudo, ao fazer dela arte.

Palavras-chave: criança, cinema, imagem, Educação Infantil.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Filme "Filhos do Paraíso"


Filme: FILHOS DO PARAÍSO (1997)

Direção: Majid Majidi

Mais uma indicação de filme cujos protagonistas, crianças, representam tramas de uma infância não edílica, permeada por questões de diferentes ordens, que permitem um olhar critico à realidades possiveis de infâncias possíveis da e na sociedade contemporânea.




Texto abaixo extraído integralmente de Blog de Pierre Willemin:
http://cinema-filia.blogspot.com/2007/06/filhos-do-paraso-bacheha-ye-aseman-1997.html

Sob um falso manto de fábula infantil, aliado à força artística do chamado neo-realismo — ou Novo Cinema — do Irã, Filhos do Paraíso carrega em si todos os elementos que suprem as expectativas do público mais exigente.

Uma das características é o uso da criança numa trama carregada de sentimentalismo, um painel social difícil de ser esquecido.

Nomes consagrados como Abbas Kiarostami ou Jafar Panahi usaram e abusaram dessa fórmula em filmes como Onde Fica a Casa de Meu Amigo? e O Balão Branco, fisgando definitivamente o interesse do mundo para o cinema da terra dos aiatolás.

O diretor Majid Majidi destaca-se como aquele que melhor soube aproveitar os parcos recursos de que ele e seus colegas dispõem, a fim de provocar a emoção de quem os assiste.

A Cor do Paraíso e Baran, respectivamente de 1999 e 2001, são obras comoventes e poéticas, sem dúvida, mas o talento supremo e a relevância de Majidi já haviam sido demonstrados em 1997 com o lançamento de Filhos do Paraíso.

O filme conta a história de um menino chamado Ali que, no caminho para casa, perde os sapatos de Zahra, sua irmã caçula. Os dois viram cúmplices de um segredo, decidem não contar aos pais sobre o ocorrido, uma vez que a família não tem dinheiro para comprar um novo par de sapatos.

A garota aceita a proposta do irmão: de manhã, ela vai à escola com os tênis de Ali e, na volta, os devolve. O menino, que estuda à tarde, acaba se atrasando diariamente para recuperar os calçados.

O consolo parece nascer quando uma corrida é organizada pelas escolas da região, e o 3º prêmio é justamente um par de tênis.

Ali pede para se inscrever e, com o otimismo típico das crianças, garante a Zahra que irá obter o terceiro lugar da prova.

Com personagens humanos e simplórios, Majidi realiza um trabalho que manipula as emoções do público sem grandes obstáculos.

Os atores mirins Mir Farrokh Hashemian e Bahare Seddiqi estão sempre prestes a nos comover com seus imensos olhos pretos, transbordantes de lágrimas.

O que faz de Filhos do Paraíso um trabalho excepcional, longe de ser um melodrama barato, é o modo como alerta sobre as desigualdades sociais através de objetos e atitudes de aparência singela. Um par de sapatos ganha significado monumental para os dois irmãos, mas existe um real motivo para isso — e nós o conhecemos muito bem.

A pobreza, claro, tende a exaltar coisas que para muita gente soam insignificantes. Em determinado ponto da história, Ali presenteia Zahra com um lápis e uma caneta como forma de agradecimento pela compreensão, e a menina fica felicíssima, como se tivesse ganhado a coisa mais maravilhosa do planeta (num outro país, é provável que a mesma reação fosse alcançada tão-somente em troca de um celular último modelo ou de uma blusa de grife).

A inquietação dos filhos diante dos problemas financeiros dos pais é natural, e essa temática ganha dimensões metafísicas no cinema das nações soit disant subdesenvolvidas. Mesmo após contemplar um belo par de tênis num comercial de tevê, as crianças se calam, sem fazer exigências.

Uma das seqüências mais deslumbrantes é quando Ali visita um bairro chique com o pai, em busca de serviço ocasional de jardineiro.

Contrastando com os labirintos acinzentados onde vivem os protagonistas, estão belas mansões de arquitetura palacial, ruas arborizadas, calçadas impecáveis, portões cheios de detalhes.

O interfone é a metáfora ideal para a luta de classes: o pai de Ali aperta a campainha, comunica-se com dificuldade pelo aparelho, o que evidencia sua total falta de intimidade com a tecnologia, e é quase sempre dispensado com indelicadeza.

Os ricos permanecem escondidos, confinados em seus oásis, ficam à distância, descartam os trabalhadores sem nem ao menos vê-los. Tudo muito frio e austero, apesar do sol dourado.

A postura crítica de Majidi arrebata um a um todos os clichês do cinema iraniano para desenvolvê-los de forma isolada em cada lance, nunca tornando o roteiro confuso, sem intercalar tramas paralelas, sem atulhar a narração com personagens desnecessários, etc.

Ele se propõe apenas a relatar um fato e o faz brilhantemente. Os personagens são esmiuçados na medida certa. Tanto os adultos quanto as crianças estão em estado quase permanente de estresse devido à falta de recursos materiais e ao acúmulo de tarefas.

O fim prematuro da infância é retratado não como uma postura de rigidez, porém como um problema hereditário, corriqueiro entre as casas menos favorecidas.

O país não importa (isso acontece no Irã, na Índia, no México, no Brasil..., o que acentua o cunho universal da fita). “Você já não é mais uma criança, tem 9 anos”, diz o pai ao garoto. “Na sua idade, eu já ajudava meus pais”, completa ele.

Uma dura realidade que Majidi transmite ao público num filme ausente de moralidades fáceis ou descartáveis; sua câmera filma a relação dos dois irmãos com um grau de ternura raramente obtido.

Texto extraído integralmente de blog de Pierre Willemin:

Filme: C'est pas moi, je le jure!




C'est pas moi, je le jure!

Filme lançado em 2008 e dirigido por Philippe Falardeau.

Atores: Antoine L’Écuyer, Suzanne Clément, Catherine Faucher, Gabriel Maillé e Jules Philip.

A trama traz crianças nas suas relações vividas com seus pares e pais, em um cotidiano ímpar permeado por descobertas e crises.

Traz como protagonista Léon, um menino de apenas dez anos de idade que representa em seu personagem formas de elaboração, negociação, resistência e sobrevivência diante de situações e circunstâncias que envolvem sua vida de criança.

Com uma personalidade bastante intensa em termos de potencial de sobrevivência a adversidades, Léon sente e percebe seu entorno adverso, carregado por perdas, dores e experiências de risco.

O filme coloca foco sobre a perspectiva da infância e aborda um tema bastante peculiar e complexo no contexto contemporâneo, no caso, a separação entre pais e o que a ela se relaciona.

Após presenciar (não de modo passivo) inúmeras discussões entre os pais, Léon vive a separação deles após a partida da mãe, que se muda para outro país, e passa a morar somente com seu pai e irmão, que guarda consigo (também) um rancor silencioso.

Perturbado por desejos de reencontrar a mãe, que pelas palavras do pai, o abandona e vai para a Grécia, e mobilizado pelo sentimento de perda e luto, passa a agir de modo agressivo e extremamente "destrutivo", tanto com objetos com os quais se vincula e busca ressignificá-los quanto consigo mesmo.

Chama a atenção do pai e da comunidade por inúmeras vezes em tentativas de experimentar sua revolta interior diante do abandono e da perda da mãe.

Alternando momentos de solidão, melancolia e isolamento, é "provocado" por Léa, uma menina que estuda em sua escola, e que como ele, vive os mesmos dilemas e angústias de perda e abandono do pai. A menina é violentada pelo tio e busca, como ele, reencontrar o pai.

Tentam juntos colocar em ação um plano de fuga, alimentados por um imaginário permeado por desejos de libertação e afeto.

A trama se passa em Quebec-Canadá, no verão de 1968, e possui um roteiro com diálogos muito inteligentes, sensíveis e carregados de forte teor crítico e provocativo.

Vale a pena conferir o filme!

Atenção especial para a fotografia, trilha sonora e atuação das crianças deste filme, de refinadíssimo tratamento.

Breve sinopse elaborada por Claudia Ximenez
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O ano de 1968 marca uma virada na vida do menino Léon Doré, dez anos. Sua falsa tentativa de suicídio, por enforcamento, fracassa por um fio. Pouco depois, sua mãe neurastênica, que se sente sufocada pelo marido, vai morar na Grécia, deixando seus dois filhos com o pai. Enquanto o irmão mais velho cultiva um rancor surdo, Léon pilha e faz uma bagunça danada na casa dos vizinhos que viajaram de férias, finge ter um problema na vista para justificar as péssimas notas no colégio, arma tramóias, manipula, faz seu pai e todos de bobos. Menos Léa, a jovem vizinha que percebe tudo e que, tendo ela própria contas a acertar com a vida, irá ajudar Léon a roubar o dinheiro para comprar uma passagem de avião para a Grécia.

Sinopse encontrada em: http://www.cinefrance.com.br/todos/?filme=2815

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Filme Rapsódia em Agosto, de Akira Kurosawa

Olá,
estou postando um pequeno trecho do filme Rapsódia em Agosto, de Akira Kurosawa, encontrado no youtube, para quem assistiu revê-lo e quem ainda não o conhece, se sentir instigado a conhecer mais uma produção de Kurosawa.

Sinceramente, há muitos anos havia assistido este filme: em outro tempo, com outras referências e repertório em minha vida.

Ao revê-lo agora, em função da proposta da disciplina de Cinema que estou cursando na Unesp, percebi o quanto ele é intenso e marcante.

Sua estética apurada, bem ao estilo kurosawano, nos entorpece. São muitos os detalhes que nos tocam.

A começar pelos personagens que, em suas relações de conflito e troca, se apresentam (em si e por si) com poucas palavras e com uma gestualidade ímpar, que dificilmente poderia ser adjetivada de outros modos.

Bem, minhas impressões sobre o filme precisam de mais tempo para serem aprimoradas e organizadas.

Enquanto não as posto aqui, espero que você, visitante deste blog, se sinta provocado a assití-lo ao ver algumas cenas do filme e imagens do making off onde encontramos Kurosawa dirigindo-o.

Bom Filme!!!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Curtas-metragens cinematograficas em Portal

Olá, mais uma indicação sobre Cinema:

Recomendo um site que conheci, recentemente, muito completo de curtas-metragens.
Na verdade, trata-se de um Projeto da Petrobrás que mantem um acervo imenso e de excelente qualidade para quem aprecia e valoriza a linguagem cinematográfica.

Vale a sua conferida!

Endereço: http://www.portacurtas.com.br/index.asp

Uma vez cadastrados, recebemos semanalmente a atualização do acervo e chamadas muito interessantes.

Eu, particularmente, estou adorando. Já assisti curtas belíssimos.

Há um espaço para projetos voltados para professores e trabalhos educativos.

Muito completo e bem estruturado, mesmo!

Cordiais saudações,

Claudia

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um Projeto sobre Cinema em Londrina, PR.

Um blog muito interessante
organizado por um grupo
que promove um Projeto de Cine-Clube em Londrina, PR.

Uma iniciativa que vale a pena conferir!

Festival de Cinema de Maringá

http://www.festcinemaringa.com.br/2011/noticias.php?uid=3

Cinema & Educação


O Festival de Cinema de Maringá abordará o tema Cinema & Educação em sua oitava edição e se propõe a ampliar oportunidades de discussões sobre a presença da cultura na educação e da educação na cultura, promovendo o circuito entre o cinema e a escola, por vias e linguagens diversas ...

Vale a pena conferir a programação do Evento!

Portal Tela Brasil

Sobre cinema... indico a visita ao portal Tela Brasil. 

Trata-se de um Projeto Educativo e de imensa inserção social, criado em 1996 por dois cineastas brasileiros, Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. O Projeto teve seu início quando ambos passaram a exibir alguns curtas-metragens brasileiros em espaços públicos e escolas publicas de São Paulo, com interesses e objetivos que o ampliariam transformando-o alguns anos mais tarde no Projeto Cine Mambembe, que se extendeu para muitos outros estados do Brasil. 

Então reconhecido por agências de fomento de cunho culturais e sociais, o pioneiro Projeto que exibe filmes em espaços itinerantes ganha o nome de Cine Tela Brasil e aloca suas práticas em estrutura mais adequada, incluindo entre suas exibições e projeções de filmes a presença de cineastas-educadores, como diferencial vinculado à um outro Projeto conhecido como Oficinas Itinerantes de Video Tela Brasil .

Para quem se interessa por cinema, não perca esta sessão! 

quinta-feira, 31 de março de 2011

Notas sobre a experiencia e o saber de experiencia

Indico a leitura do texto Notas sobre a experiencia e o saber de experiencia, de Jorge Larrosa,  publicado em 2002, pela Revista Brasileira de Educação, à quem se interessa pelo que a experiencia nos pode oferecer...enquanto palavra, sentido e conhecimento....

Texto escrito com a competência, o lirismo e a sensibilidade deste Doutor em Pedagogia pela Universidade de Barcelona, Professor Titular de Filosofia da Educação, que publicou diversos artigos em periódicos brasileiros e tem dois livros traduzidos para o português: Imagens do outro (Vozes, 1998) e Pedagogia Profana (Autêntica, 1999).

Espero que gostem como eu. Por isso é que os indico!
Boa Leitura e uma ótima Experiência nela e com ela!

Claudia

A escola e o supermercado dos prazeres - Entrevista com Prof. Larrosa

A escola e o supermercado dos prazeres


 Jorge Larrosa, Professor da Universidade de Barcelona e Doutor em Filosofia da Educação

Maurício Guilherme Silva Jr.


Marcada pela incessante busca de sensações, a sociedade contemporânea costuma relacionar tudo aos movimentos e demandas do consumo. Diversas questões, no entanto, dizem respeito a lógicas humanistas, que ultrapassam os códigos econômicos e ressaltam a importância da diversidade e da diferença.Principalmente na educação, ressalta o professor da Universidade de Barcelona e doutor em Filosofia da Educação, Jorge Larrosa Bondía, as experiências pessoais fazem com que a escola, "essa máquina aparentemente unitária", torne-se infinita.

Felipe Zig

Larrosa: a escola "escolariza" tudo o que toca

Como o senhor analisa o sistema educacional no mundo? Que países seriam modelos de educação?

Estudei com um sociólogo, na Inglaterra, que não entendia a existência de uma disciplina chamada "educação comparada". Ela sugere uma série de sistemas educativos espalhados pelos países. Este meu colega, no entanto, não via diferença em estar numa escola em Xangai, Buenos Aires ou nos Estados Unidos. A máquina escolar é semelhante em todos os lugares. Ao mesmo tempo, se você mantém-se atento a como as pessoas dão sentido a suas experiências escolares, percebemos que essa máquina, aparentemente unitária, é infinita. Não saberia dizer, pois, quais países são modelos de sistemas educativos. Eu acho que é tarefa de cada um achar seu próprio lugar e encontrar seus interlocutores. Hoje, você pode se entender melhor com pessoas que moram em outra parte do mundo. Ao mesmo tempo, pode não ter afinidades com as pessoas que moram próximas a você. O mundo é menor e, ao mesmo tempo, maior do que nunca.

Como os professores podem aliar, ao aprendizado formal, as leituras cotidianas de seus alunos?


É bom lembrar que, em alguns lugares do mundo, a leitura não faz parte do cotidiano das pessoas. Isso não é bom, nem ruim. Seria ruim sob o ponto de vista iluminista, segundo o qual a leitura é capaz de construir diferenças entre os homens. Em relação à forma como a escola trata as experiências de leitura das pessoas, eu diria que a instituição de ensino é um aparelho de recontextualização. A escola desloca textos de seus "lugares naturais", da produção e do consumo, e os põe em um território diferente. A escola "escolariza" tudo o que toca. Literatura, na escola, não se mantém literatura. Os preceitos escolares submetem tudo à sua dinâmica.


E quais as principais diferenças entre estudar e ler?

Na essência, não haveria qualquer diferença, já que a palavra "estudo" significa "leitura". O critério de diferenciação estaria, hoje, no prazer, na fruição. Se você observa os discursos pedagógicos sobre o ato de ler, quase todos insistem na idéia de que seria preciso recuperar, na escola, o lado lúdico e prazeroso da leitura. Mas pensar a escola como uma máquina de prazer é contraditório. Ao mesmo tempo, exigir que a leitura seja absolutamente prazerosa é também uma forma de simplificar as coisas. A idéia de sempre vincular a leitura ao bem-estar diz respeito a este mundo que se tem convertido numa enorme máquina de compra e distribuição de prazer. Imagine a escola tendo que competir com esse supermercado das sensações!

Como o senhor analisa o papel das novas tecnologias em relação ao futuro das práticas de leitura?

Em Dom Quixote, de Cervantes, o padre e outra personagem fazem críticas aos livros de cavalaria consumidos pelo povo. Para eles, tais obras não estariam à altura do que realmente deveria ser lido. Até hoje, as classes abastadas criticam as práticas de leitura, sob o ponto de vista do que consideram interessante a ser lido. Essa crítica está ligada, inclusive, às novas tecnologias. Neste caso, há uma divisão entre os apocalípticos e os integrados. Alguns acham que o livro e a idéia de memória e de tradição desaparecerão por força da cultura da imagem. Esse é o discurso apocalíptico. De outro lado, há aqueles que vêem as novas tecnologias como solução para o mundo. Não acredito em nenhuma das duas idéias. Tudo, na verdade, está submetido a uma série de controles políticos, ideológicos e morais.


Mas não seria prejudicial o acesso diário a um grande volume de informações?

Isso remonta à idéia de que a leitura é uma prática lenta, isolada, silenciosa, demorada e que constrói um tempo diferenciado do ritmo cotidiano. Trata-se de um imaginário de leitura que, na verdade, nunca existiu. Contudo, as tecnologias realmente têm mudado a relação das pessoas com o tempo. Para uma pessoa como eu, que dedicou boa parte da vida ao estudo da leitura, seria de se esperar um discurso contra a Internet e a favor da cultura do livro. No entanto, talvez a cultura do livro nunca tenha sido o que as pessoas imaginaram.

O que pode ser feito para ampliar a relação entre arte e educação?

A relação da educação com a arte, desde os gregos, é constitutiva. Educação é inconcebível fora da cultura de seu tempo. Além disso, os processos educacionais são pensados como arte, e não como técnica. Portanto, a pergunta sobre como relacionar arte e educação, na essência, não tem sentido. Mas hoje a questão ganhou significado porque essa relação não é mais tão clara. O cinema, por exemplo, faz parte da cultura de nosso tempo. Seria impensável, pois, uma teoria educativa que não considere a sétima arte como algo importante. Educação, em resumo, precisa se relacionar com a cultura do presente. Do contrário, transforma-se em prática de adestramento.


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terça-feira, 22 de março de 2011

Programa da Disciplina "Cinema e Escola", cursada no Programa de Pós Graduação em Educação da Unesp Campus Araraquara / 1º semestre 2011.

Aproveito a oportunidade ao falar em cinema, para divulgar o Programa da Disciplina que estou cursando como aluna no Programa de Pos-Graduaçao em Educação, junto à UNESP, Campus de Araraquara, no primeiro semestre de 2011.

NOME DA DISCIPLINA: Cinema e Escola


PROFESSORES RESPONSÁVEIS Denis Domeneghetti Badia e Maria Cristina de Senzi Zancul

EMENTA:

O cinema. Cinema e imaginário social acerca da ciência e da escola. O uso de filmes como instrumento de observação, meio de expressão e veículo formador do imaginário social. O uso pedagógico das imagens cinematográficas. Cultura, Escola, Sociedade e Meio Ambiente.

PROGRAMA:


1. O que é cinema. Aproximações.


2. O cinema como expressão cultural.


3. O cinema como fonte para o estudo do imaginário social.


4. O uso da imagem cinematográfica em atividades pedagógicas.


5. Imaginário, Cultura e Escola.


6. Sociedade e Meio Ambiente

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:

BERNANDET, Jean Claude. O que é cinema. São Paulo: Brasiliense, 20006

FERRO, M. O filme: uma contra-analise da sociedade. In: LE GOFF, Jaques; Nora, Pierre (orgs.) História: novos objetos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.

GILMOR, D. O clube do filme. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009.

LEANDRO, A. Da imagem pedagógica à pedagogia da imagem. Comunicação & Educação. São Paulo, (21), p. 29 a 36, maio/ago. 2001.

NÓVOA, j. FRESSATO, S. B. e FEINGELSON, K. (org.) Cinematógrafo: um olhar sobre a história. Salvador: EDUFBA, Ed. da UNESP, 2009.

OLIVEIRA, Bernardo Jefferson (org.) História da Ciência no Cinema. Belo Horizonte, M. G: Argvmentum, 2005.

______________________________História da Ciência no Cinema 2. Belo Horizonte, M. G: Argvmentum, 2007.


____________________________Cinema e imaginário científico. História, Ciências, Saúde, Manguinhos, v. 13 (suplemento), p. 133-150, outubro 2006.


Metz, Cristian. O significado do cinema. São Paulo, Perspectiva, 2004.

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O cinema como pratica social, de Graeme Turner


Autor: Graeme Turner

Entendendo o cinema como componente de um processo sociocultural, e não simplesmente como "sétima arte", o autor analisa a teoria da produção cinematográfica dentro deste contexto. Trazendo um sem-número de exemplos, é feita uma leitura destes segundo diversas abordagens, para a compreensão do seu significado sociocultural. O livro é fundamental para aqueles que queiram se aprofundar na conceituação teórica do cinema.


São Paulo, Editora Summus, 1993.

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Livro "O clube do Filme", de David Gilmour

Sinopse do Livro: O Clube do Filme


David Gilmour

Eram tempos difíceis para David Gilmour: sem trabalho fixo, com o dinheiro contado e o filho de 15 anos colecionando reprovações em todas as matérias do ensino médio. O autor, diante da falência, da desorientação e da infelicidade do filho-problema, faz uma oferta fora dos padrões: o garoto poderia sair da escola – e ficar sem trabalhar e sem pagar aluguel – desde que assistisse semanalmente a três filmes escolhidos por ele, o pai.


A aposta diferente resultou no Clube do Filme. Semana a semana, pai e filho viam e discutiam o melhor (e, ocasionalmente, o pior) do cinema: de A Doce Vida (o clássico de Federico Fellini) a Instinto Selvagem (o thriller sensual estrelado por Sharon Stone); de Os Reis do Iê, Iê, Iê (hit cinematográfico da Beatlemania) a O Iluminado (interpretação primorosa da Jack Nicholson, dirigido por Stanley Kubrick); de O Poderoso Chefão (um dos integrantes das listas de "melhores filmes de todos os tempos") a Amores Expressos (cult romântico e contemporâneo do coreano Wong KarWay).


David Gilmour, crítico de cinema e escritor premiado, oferece uma percepção singular sobre filmes, roteiros, diretores e atores inesquecíveis ao relatar essa vivência com olho clínico e muita sinceridade. E emociona ao mostrar aos leitores a descoberta da vida adulta pelos olhos de um jovem e os dilemas da adolescência administrados por um pai muito presente.

A Infancia vai ao cinema

Coleção "Cinema, cultura e educação", Editora Autêntica.


Release - A Infância vai ao Cinema


Os organizadores da Coleção Cinema, Cultura e Educação compreendem a Educação como uma complexa e delicada arte de tecer vidas e identidades humanas, fazendo fruir as capacidades lógico-cognitivas, estético-expressivas, e ético-morais existentes, potencialmente em cada criança e em cada jovem. Acredita-se que o Cinema pode ter uma importância fundamental nesse fenômeno. Pensando nisso, escreveram o livro A infância vai ao Cinema para mostrar como a infância e a criança vem sendo representada pela sétima arte.

Além de contar com a participação de autores brasileiros, o livro conta com autores da Espanha, Argentina e Moçambique. Como nas últimas décadas, vários filmes trabalharam com o conceito de infância como alegoria e apresentaram as crianças como atores sociais, os autores desta coletânea apostam que: “Observando as crianças nas histórias que os filmes contam, nas cenas filmadas, nas imagens e nos gestos em movimentos, descortinam-se as orientações políticas e ideológicas dos contextos em que estão inseridas, sua situação social, a pluralidade cultural, a diferença de idade e tamanho, as religiões e visões de mundo, as interações entre meninos e meninas, as relações com os adultos ou jovens, o poder e o controle institucional, a brincadeira e o trabalho, a seriedade e o riso”.

01/01/2007 — Assessoria de Comunicação


Sinopse do livro  "A Infancia vai ao Cinema"

Este livro é o quarto título da Coleção Cinema, Cultura e Educação. Desta vez, vários filmes são analisados para mostrar como a criança e a infância são representadas nas películas. Observando as crianças nas histórias que os filmes contam, nas cenas filmadas, nas imagens e nos gestos em movimento, os autores debruçam-se sobre as orientações políticas e ideológicas dos contextos em que estão inseridas, sobre a situação social mostrada, a pluralidade cultural, as interações entre meninos e meninas, entre outros pontos. Assim como os outros da Coleção é um instrumento para se pensar a relação entre Cinema e Educação.

Sobre os autores

Inês Assunção de Castro Teixeira

Doutora em Educação e professora da Graduação e Pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Condição e Formação Docente da Faculdade de Educação da UFMG e do Programa de História Oral do Centro de Estudos Mineiros da UFMG. Membro do Programa Ações Afirmativas, na mesma universidade.

José de Sousa Miguel Lopes

Doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC São Paulo. Tem desenvolvido pesquisas e publicações sobre relações étnico-raciais e temáticas da Antropologia na Educação.

Outros Títulos desta Coleção:

Outras terras à vista -
Cinema e Educação do Campo
A juventude vai ao cinema
A diversidade cultural vai ao cinema
A escola vai ao cinema
A infância vai ao cinema
A mulher vai ao cinema

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Relato de um certo Oriente - Milton Hatoum Indicação de leitura

Algumas resenhas sobre o livro


Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum





Relato de um certo Oriente, de 1989, primeiro romance de Milton Hatoum, debruça-se sobre um tema bastante comum: a família e seus dramas. A procura por mostrar as dificuldades presentes na convivência diária de familiares e amigos entre si, com seus diferentes segredos e comportamentos, faz deste um grande enredo.

O romance mostra que o refúgio da memória é a interioridade do indivíduo, reduzido e isolado na sua própria história, quase que incomunicável com outro mundo que não seja o dele.

A memória, a identidade e a reconstituição de lembranças são os temas deste romance. A personagem protagonista de Relato de um certo Oriente consegue, por meio da rememoração de seu passado e com a ajuda das lembranças de outros, enriquecer sua vida, dar sentido e valor à sua origem.

Em Relato de um Certo Oriente a (re)construção do passado é interessante, pois a narradora utiliza de diferentes recursos para reanimá-lo. Seja um odor, seja uma voz, seja um lugar, não importa. Esses e outros recursos serão utilizados como modos de recuperar a memória perdida.

A obra é um relato composto de outros relatos (metarrelatos), distribuídos em oito capítulos, os quais se assemelham ou resgatam a forma oral do narrar, em que uma história é evocada para completar outras à medida que é um ou outro narrador quem detém a posse de certa informação que vai esclarecer uma outra apontada anteriormente (anáfora), ou outra que ainda virá (catáfora). Fala-se em narrativa de encaixe porque se vão reunindo pequenos relatos para que o todo seja/esteja completo.

A trama se passa numa cidade marcada pelo hibridismo cultural e atravessada pelas idéias de fronteira e trânsito: Manaus, uma capital que se separa da floresta pelas águas fluviais e se situa num estado que faz divisa com três outros países. Ela também é a cidade natal do escritor. No livro também estão presentes a diversidade de costumes, línguas, e a convivência entre indivíduos de diferentes nacionalidades.

Em Relato de um certo Oriente, uma mulher visita a cidade de sua infância depois de ter passado quase 20 anos fora. E, a partir dos acontecimentos que se desenrolam após sua chegada, ela vai relembrando e descobrindo histórias do seu passado e da família que a criou.

Ao retornar a Manaus, após ter permanecido internada em uma clínica de repouso em São Paulo, a narradora chega justamente na noite que precede o dia da morte de Emilie, sua mãe adotiva.

Inicia-se, então, um outro trabalho, o de recuperar Emelie através da memória, não apenas a sua, mas também a de outros personagens que entrelaçaram seu percurso de forma significativa ao daquela família: o filho mais velho, o único a aprender o árabe e que também irá se distanciar de todos, ao mudar-se para o sul; o alemão Dorner, amigo da família e fotógrafo; o marido de Emelie, recuperado, mesmo depois de morto, através da memória de Dorner, e Hindié Conceição, amiga sempre presente, a partilhar com a conterrânea a solidão da velhice. Muitas vozes a compor um mosaico, nem sempre ordenado, nem sempre claro naquilo que revela, mas sobretudo rico em pequenos detalhes de extrema significação.

No intuito de enviar uma carta ao irmão, que se encontra em Barcelona, a fim de lhe revelar a morte de Emilie, acaba escrevendo um relato com depoimento de membros da família e de amigos, conforme o irmão lhe pedira na última correspondência que lhe enviara. Esses testemunhos proporcionam uma verdadeira viagem à memória, com regresso à infância e aos fatos marcantes da vida familiar.

Logo no primeiro capítulo, a narradora nos descreve uma parte da casa na qual acabara de acordar, em Manaus. A descrição das duas salas contíguas é repleta de marcas identificatórias do Oriente, indicando uma representação estilizada desse território: tapete de Isfahan, elefante indiano e reproduções de ideogramas chineses são alguns dos objetos de consumo dos ocidentais, tomados como símbolos, que estão presentes nos cômodos.

Em Relato de um certo Oriente as histórias falam das possibilidades e das dificuldades do trabalho com a memória, das tensões e da convivência de culturas, religiões, línguas, lugares, sentimentos e sentidos diferentes das personagens em relação ao mundo. A casa de Emilie, matriarca da família na narrativa do Relato, é um microcosmo onde estas tensões aparecem e são vividas cotidianamente.

O que mantêm a tensão no romance é a narrativa centrada em incidentes – o atropelamento de Soraya Ângela, o afogamento de Emir.

A obra, em sua estrutura e estratégia de composição, parece transitar e oscilar entre a narração – em que a figura do narrador é extremamente importante e o relato é feito principalmente com base nas tradições orais, como uma tentativa de rememoração das experiências coletivas do passado – e o romance, que apareceria como um gênero literário decorrente das transformações da sociedade capitalista, que destrói cada vez mais a possibilidade que a experiência comum viva e se revele no relato dos narradores.


" Este é o relato da volta de uma mulher, apos longos anos de ausência, à cidade de sua infância, Manaus, num dialogo com o irmão distante. Historia de um regresso à vida em familia e ao mais intimo, no fundo é uma complexa viagem da memoria a uma ilha do passado, onde o destino do individuo se enlaça ao do grupo familiar na busca de si mesmo e do outro. Odisséia sem deuses ou maravilhas de uma pobre heroina desgarrada, cujo destino problematico terri sens fios no enredo de um romance, tramado com calma sabedoria pela mão surpreendente de um jovem escritor. O romance é aqui uma arquitetura imaginaria : a arte de reconstruir, no lugar das lembranças e vãos do esquecimento, a casa que se foi. Uma casa, um mundo. Um mundo até certo ponto unico, exotico e enigmatico em sua estranha poesia, mas capaz de se impor ao leitor com alto poder de convicção. Não se resiste ao fascinio dessa prosa evocativa, traçada com raro senso plastico e pendor lirico : viagem encantatoria por meandros de frases longas e limpidas, num ritmo de recorrências e remansos, de regresso à cidade ilhada pelo rio e a floresta amazônica, onde uma familia de imigrantes libaneses, ha muito ali radicada, vive seu drama de paixões contraditorias, de culpas e franjas de luto ao redor de mortes tragicas. A essa ilha familiar retorna a narrativa como a um ponto de recordações, aberto à atmosfera ambigua de um certo Oriente - espaço flutuante onde velhas tradições religiosas e culturais vieram se misturar às imagens da terra, com a aura do sagrado e o gosto sensual de coisas e palavras. A narração remonta ao passado por lances retrospectivos, pela voz da narradora em que se encaixam outras vozes num coral coeso, lembrando a tradição oral dos narradores orientais : caixa de surpresas, de que saltam as multiplas faces das personagens, num jogo de sombra e silêncio, sob a luz ardente do Amazonas. Nela se guardam as hesitações e lacunas da memoria, o que não se alcança do passado - modo obliquo de se deparar com os limites do conhecimento do outro e de si mesmo, enigma ultimo do ser. Reino de figuras fugazes, mas fortes : Emir, que transita para a morte, levando nas mãos a misteriosa flor em que se cifra seu destino ; o fotografo alemão Dorner, que capta com sua generosa atenção o final simbolico do suicida ; o leitor calado e solitario da Parisiense, velho comerciante arabe, capaz de contar historias parecidas às das Mil e uma noites ; e a extraordinaria Emilie, matriarca e matriz de toda a vida da casa, que traz aninhado no colo o novelo de historias de familia, origem e fim do enredo do romance. Como outros em nosso tempo, é este o relato de uma volta à casa ja desfeita, reconstruida pelo esforço ascético de um observador de olhar penetrante, mas pudoroso, que recorda e imagina. Historia de uma busca impossivel, o romance é ainda uma vez aqui a aventura do conhecimento que empreende o espirito quando se acabam os caminhos. E ai que começam as viagens da memoria. "


Romance de foco narrativo, Relato de um certo oriente, do escritor amazonense Milton Hatoum, cruza referências de dois mundos. Amazonas, a terra natal, e Líbano, nação de seus ascendentes, aparecem no mesmo relato. São mundos imagináveis e distantes para o leitor pouco informado sobre a mata do norte ou as particularidades do Oriente. Mundos de habitantes aparentemente exóticos pelo simples fato de serem desconhecidos. Milton Hatoum traz sua personagem de Paris para Manaus, no Amazonas, para contar a história da pluralidade cultural da cidade através de uma família de libaneses, onde a necessidade de convívio com a diferença se estabelece na própria família de avó católica e avô muçulmano.

O escritor amazonense Milton Hatoum, em entrevista à equipe Linguativa, falou sobre sua vida, seus livros, prêmios e sua terra natal: Manaus. Entre seus relatos, Hatoum fala sobre o seu livro, Dois irmãos, consagrado nacionalmente e ganhador do Prêmio Jabuti na categoria Romance. Atualmente morando em São Paulo, Hatoum fala com nostalgia sobre sua vida em Manaus, sobre a influência da cultura árabe na sociedade amazonense, sobre os anos em que passou escrevendo Relatos de um certo Oriente e Dois irmãos. O primeiro, também ganhador do Prêmio Jabuti, em 1989, já foi traduzido para várias outras línguas. Agora, Dois irmãos segue o mesmo caminho: está sendo traduzido para o inglês, francês, holandês, alemão, árabe, além de já ter sido lançado em Portugal. Assim, o escritor amazonense vai consolidando seu nome na Literatura Brasileira, sem deixar suas raízes de lado.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Significado da Anistia a Paulo Freire - Moacir Gadotti

Significado da Anistia a Paulo Freire - Moacir Gadotti


16/11/2009

Depois de 12 anos de sua morte, o Ministério da Justiça, por meio de sua Comissão de Anistia e de acordo com a Lei da Anistia, que permitiu a volta dos exilados, vai proceder ao julgamento político de Paulo Freire, no contexto do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, que terá lugar em Brasília, de 23 a 27 de novembro próximo.


Paulo Freire foi um dos primeiros cidadãos brasileiros a ser punido pelo regime autoritário.

Seu Programa Nacional de Alfabetização, que mal havia sido instituído, por meio do Decreto nº 53.465, de 21 de janeiro de 1964 e que consagrava o “Sistema Paulo Freire para alfabetização em tempo rápido”, foi extinto pelo novo regime, logo após o golpe de estado de 1 de abril de 1964. Ranieri Mazzilli, presidente em exercício nos primeiros dias que se sucederam ao Golpe Militar, extinguiu esse programa, por meio do Decreto nº 53.886, de 14 de abril de 1964, considerando a necessidade de “reestruturar o Planejamento para a eliminação do analfabetismo no país (...), veicular idéias nitidamente democráticas e preservar as instituições e tradições de nosso país”.

O Programa Nacional de Alfabetização previa a “cooperação e os serviços” de “agremiações estudantis e profissionais, associações esportivas, sociedades de bairro e municipalista, entidades religiosas, organizações governamentais, civis e militares, associações patronais, empresas privadas, órgãos de difusão, o magistério e todos os setores mobilizáveis”. Desde seus primeiros escritos e sua práxis político-pedagógica, Paulo Freire preconizava a necessidade da participação popular na luta contra o analfabetismo.

Paulo Freire foi preso logo em seguida, no mês de junho, e passou 75 dias preso numa cadeia do quartel de Olinda, acusado de “subversivo e ignorante”. Detalhe: na prisão, um dos oficiais responsáveis pelo quartel, sabendo que ele era professor, solicitou a Paulo Freire para alfabetizar alguns recrutas. Paulo explicou-lhe que foi exatamente porque queria alfabetizar que fora preso. Alguns de seus alunos também foram presos e passaram por outras dificuldades depois da experiência de Angicos (1963), considerada subversiva e mais tarde, cancelada.


Como educador que sabe que educação é direito e condição para a transformação social, queria ver seu país livre do analfabetismo, visando a um Brasil “menos malvado” e com justiça social. Sua principal obra, Pedagogia do oprimido, escrita nos primeiros anos de exílio, uma profissão de fé na necessidade do diálogo e na democracia, termina afirmando que “se não ficar destas páginas, algo, pelo menos, esperamos que permaneça: nossa confiança no povo. Nossa fé nos homens e na criação de um mundo em que seja menos difícil amar”.

Exilado no Chile, no mesmo ano, Paulo Freire preocupava-se com aqueles que aqui ficaram, “exilados internos”, como ele os chamava. No livro: Essa escola chamada vida, escrito em parceria com Frei Betto, um depoimento ao repórter Ricardo Kotscho, ele diz que foi exatamente ficando longe do Brasil que se preocupou com ele: “me perguntei”, diz ele, “sobre o que fizeram com outros brasileiros, milhares de brasileiros da geração jovem e da minha geração” (p. 56).

Essa era a mesma preocupação de sua esposa, Elza Freire, que, ao sair do Brasil teve que pedir demissão para não ser demitida por abandono de cargo, deixando para trás 21 anos de magistério e 10 como diretora de escola. Escreveu ela em setembro de 1977: “a coisa que realmente a gente sente é no outro dia quando amanheci no Chile, não ter trinta e cinco professores nem 600 alunos que era a população do meu grupo escolar. Isso eu realmente senti” (Memórias das mulheres do exílio, 1980, p. 201).

Foram 16 anos de exílio.
Anistiar Paulo Freire hoje, 45 anos após seu exílio, nos ajudar a manter vivo seu legado, a discutir suas contribuições não só à educação, mas à causa da emancipação humana. Por mais de meio século ele pode contribuir com um dos nossos movimentos mais férteis - o da educação popular – que se constitui na maior contribuição da América Latina ao pensamento pedagógico universal. Paulo Freire dizia que “a única maneira que alguém tem de aplicar, no seu contexto, alguma das proposições que fiz, é exatamente refazer-me, quer dizer, não seguir-me. Para seguir-me, o fundamental é não me seguir” (Por uma pedagogia da pergunta, p. 41). É exatamente isso que hoje o Instituto Paulo Freire, que ele ajudou a fundar em 1991, vem fazendo: continuando e reinventando Freire.

Em julho de 1997, dois meses depois de sua morte, a UNESCO me chamou para prestar uma homenagem a Paulo Freire na CONFINTEA V (V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos), realizada em Hamburgo, Alemanha. Era o reconhecimento internacional da grande contribuição do educador brasileiro com o qual tive o privilégio de conviver. Minhas palavras foram breves. Destaquei que, “como terno guerreiro das palavras, Paulo Freire criticou, atacou, a ética do mercado neoliberal, mas tinha esperança de superá-la, por uma ética humana integral. Acreditava na história como possibilidade e não como fatalidade. Um sentido muito importante das homenagens oferecidas a Paulo Freire é, de um lado, praticar estas virtudes de Freire, por outro, é dar continuidade a seu legado. Dar continuidade a Freire, não é tratá-lo como a um totem, algo que não se pode tocar, mas apenas adorar; não é tratá-lo como a um guru, que tem que ser seguido por discípulos, sem questioná-lo. Nada menos freireano que esta idéia. Paulo Freire foi, sobretudo, um criador de espíritos. Por isso, deve ser tratado como um grande educador popular. Por isso, não devemos repetir a Freire, mas “re-inventá-lo”, como ele mesmo dizia. Para esta tarefa não designou a uma ou a outra pessoa ou instituição. Esta tarefa ele a deixou a todos nós, a todas e a todos os que estão comprometidos com a causa dos oprimidos”.

A concessão da anistia a Paulo Freire não é somente um ato simbólico; é também um ato de reparação ao sofrimento de sua sua esposa Elza e de seus cinco filhos – Madalena, Fátima, Cristina, Joaquim e Lugardes – que, juntamente com seus pais, sofreram um grande “corte” em suas vidas, segundo expressão de Elza Freire.

Anistiar hoje Paulo Freire significa reconhecer a verdade. Todos precisam conhecê-la. Anistiar Paulo Freire significa também preservar a memória, papel da educação, e homenagear a causa que ele sempre defendeu: a democracia.



Moacir Gadotti, diretor do Instituto Paulo Freire.

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