CLAUDIA XIMENEZ

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Possui Graduação em Pedagogia pela UNESP(1991),Especialização em Psicopedagogia pela USP (1993), Mestrado em Psicologia da Educação pela USP (2001)e Doutorado pela UNESP (2013). Sou Profa Adjunto no Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), junto à área de Psicologia Educacional, desde 2001. Em meu percurso profissional, atuei como Psicopedagoga Clínica e Institucional em instituições públicas paulistas (São José dos Campos, Bebedouro e Ribeirão Preto) durante 7 anos; Fui Docente na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e na Universidade Estadual Paulista (UNESP) em 2001; Docente e Orientadora de Monografias em Cursos de Especialização na área de Psicopedagogia ; Coordenei um Programa de Extensão, "Ludoteca", onde desenvolvi estudos e orientei monografias, TCCs e bolsistas na tematica "Brincar na Infância em contextos educativos não-formais". Tenho experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Brincar na Infancia; Ludicidade e Formação de Professores; Memória Lúdica de Professores e implicações na pratica e concepções docente; Cinema e Infância; http://lattes.cnpq.br/1868082043428099

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Filme "Filhos do Paraíso"


Filme: FILHOS DO PARAÍSO (1997)

Direção: Majid Majidi

Mais uma indicação de filme cujos protagonistas, crianças, representam tramas de uma infância não edílica, permeada por questões de diferentes ordens, que permitem um olhar critico à realidades possiveis de infâncias possíveis da e na sociedade contemporânea.




Texto abaixo extraído integralmente de Blog de Pierre Willemin:
http://cinema-filia.blogspot.com/2007/06/filhos-do-paraso-bacheha-ye-aseman-1997.html

Sob um falso manto de fábula infantil, aliado à força artística do chamado neo-realismo — ou Novo Cinema — do Irã, Filhos do Paraíso carrega em si todos os elementos que suprem as expectativas do público mais exigente.

Uma das características é o uso da criança numa trama carregada de sentimentalismo, um painel social difícil de ser esquecido.

Nomes consagrados como Abbas Kiarostami ou Jafar Panahi usaram e abusaram dessa fórmula em filmes como Onde Fica a Casa de Meu Amigo? e O Balão Branco, fisgando definitivamente o interesse do mundo para o cinema da terra dos aiatolás.

O diretor Majid Majidi destaca-se como aquele que melhor soube aproveitar os parcos recursos de que ele e seus colegas dispõem, a fim de provocar a emoção de quem os assiste.

A Cor do Paraíso e Baran, respectivamente de 1999 e 2001, são obras comoventes e poéticas, sem dúvida, mas o talento supremo e a relevância de Majidi já haviam sido demonstrados em 1997 com o lançamento de Filhos do Paraíso.

O filme conta a história de um menino chamado Ali que, no caminho para casa, perde os sapatos de Zahra, sua irmã caçula. Os dois viram cúmplices de um segredo, decidem não contar aos pais sobre o ocorrido, uma vez que a família não tem dinheiro para comprar um novo par de sapatos.

A garota aceita a proposta do irmão: de manhã, ela vai à escola com os tênis de Ali e, na volta, os devolve. O menino, que estuda à tarde, acaba se atrasando diariamente para recuperar os calçados.

O consolo parece nascer quando uma corrida é organizada pelas escolas da região, e o 3º prêmio é justamente um par de tênis.

Ali pede para se inscrever e, com o otimismo típico das crianças, garante a Zahra que irá obter o terceiro lugar da prova.

Com personagens humanos e simplórios, Majidi realiza um trabalho que manipula as emoções do público sem grandes obstáculos.

Os atores mirins Mir Farrokh Hashemian e Bahare Seddiqi estão sempre prestes a nos comover com seus imensos olhos pretos, transbordantes de lágrimas.

O que faz de Filhos do Paraíso um trabalho excepcional, longe de ser um melodrama barato, é o modo como alerta sobre as desigualdades sociais através de objetos e atitudes de aparência singela. Um par de sapatos ganha significado monumental para os dois irmãos, mas existe um real motivo para isso — e nós o conhecemos muito bem.

A pobreza, claro, tende a exaltar coisas que para muita gente soam insignificantes. Em determinado ponto da história, Ali presenteia Zahra com um lápis e uma caneta como forma de agradecimento pela compreensão, e a menina fica felicíssima, como se tivesse ganhado a coisa mais maravilhosa do planeta (num outro país, é provável que a mesma reação fosse alcançada tão-somente em troca de um celular último modelo ou de uma blusa de grife).

A inquietação dos filhos diante dos problemas financeiros dos pais é natural, e essa temática ganha dimensões metafísicas no cinema das nações soit disant subdesenvolvidas. Mesmo após contemplar um belo par de tênis num comercial de tevê, as crianças se calam, sem fazer exigências.

Uma das seqüências mais deslumbrantes é quando Ali visita um bairro chique com o pai, em busca de serviço ocasional de jardineiro.

Contrastando com os labirintos acinzentados onde vivem os protagonistas, estão belas mansões de arquitetura palacial, ruas arborizadas, calçadas impecáveis, portões cheios de detalhes.

O interfone é a metáfora ideal para a luta de classes: o pai de Ali aperta a campainha, comunica-se com dificuldade pelo aparelho, o que evidencia sua total falta de intimidade com a tecnologia, e é quase sempre dispensado com indelicadeza.

Os ricos permanecem escondidos, confinados em seus oásis, ficam à distância, descartam os trabalhadores sem nem ao menos vê-los. Tudo muito frio e austero, apesar do sol dourado.

A postura crítica de Majidi arrebata um a um todos os clichês do cinema iraniano para desenvolvê-los de forma isolada em cada lance, nunca tornando o roteiro confuso, sem intercalar tramas paralelas, sem atulhar a narração com personagens desnecessários, etc.

Ele se propõe apenas a relatar um fato e o faz brilhantemente. Os personagens são esmiuçados na medida certa. Tanto os adultos quanto as crianças estão em estado quase permanente de estresse devido à falta de recursos materiais e ao acúmulo de tarefas.

O fim prematuro da infância é retratado não como uma postura de rigidez, porém como um problema hereditário, corriqueiro entre as casas menos favorecidas.

O país não importa (isso acontece no Irã, na Índia, no México, no Brasil..., o que acentua o cunho universal da fita). “Você já não é mais uma criança, tem 9 anos”, diz o pai ao garoto. “Na sua idade, eu já ajudava meus pais”, completa ele.

Uma dura realidade que Majidi transmite ao público num filme ausente de moralidades fáceis ou descartáveis; sua câmera filma a relação dos dois irmãos com um grau de ternura raramente obtido.

Texto extraído integralmente de blog de Pierre Willemin:

Filme: C'est pas moi, je le jure!




C'est pas moi, je le jure!

Filme lançado em 2008 e dirigido por Philippe Falardeau.

Atores: Antoine L’Écuyer, Suzanne Clément, Catherine Faucher, Gabriel Maillé e Jules Philip.

A trama traz crianças nas suas relações vividas com seus pares e pais, em um cotidiano ímpar permeado por descobertas e crises.

Traz como protagonista Léon, um menino de apenas dez anos de idade que representa em seu personagem formas de elaboração, negociação, resistência e sobrevivência diante de situações e circunstâncias que envolvem sua vida de criança.

Com uma personalidade bastante intensa em termos de potencial de sobrevivência a adversidades, Léon sente e percebe seu entorno adverso, carregado por perdas, dores e experiências de risco.

O filme coloca foco sobre a perspectiva da infância e aborda um tema bastante peculiar e complexo no contexto contemporâneo, no caso, a separação entre pais e o que a ela se relaciona.

Após presenciar (não de modo passivo) inúmeras discussões entre os pais, Léon vive a separação deles após a partida da mãe, que se muda para outro país, e passa a morar somente com seu pai e irmão, que guarda consigo (também) um rancor silencioso.

Perturbado por desejos de reencontrar a mãe, que pelas palavras do pai, o abandona e vai para a Grécia, e mobilizado pelo sentimento de perda e luto, passa a agir de modo agressivo e extremamente "destrutivo", tanto com objetos com os quais se vincula e busca ressignificá-los quanto consigo mesmo.

Chama a atenção do pai e da comunidade por inúmeras vezes em tentativas de experimentar sua revolta interior diante do abandono e da perda da mãe.

Alternando momentos de solidão, melancolia e isolamento, é "provocado" por Léa, uma menina que estuda em sua escola, e que como ele, vive os mesmos dilemas e angústias de perda e abandono do pai. A menina é violentada pelo tio e busca, como ele, reencontrar o pai.

Tentam juntos colocar em ação um plano de fuga, alimentados por um imaginário permeado por desejos de libertação e afeto.

A trama se passa em Quebec-Canadá, no verão de 1968, e possui um roteiro com diálogos muito inteligentes, sensíveis e carregados de forte teor crítico e provocativo.

Vale a pena conferir o filme!

Atenção especial para a fotografia, trilha sonora e atuação das crianças deste filme, de refinadíssimo tratamento.

Breve sinopse elaborada por Claudia Ximenez
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O ano de 1968 marca uma virada na vida do menino Léon Doré, dez anos. Sua falsa tentativa de suicídio, por enforcamento, fracassa por um fio. Pouco depois, sua mãe neurastênica, que se sente sufocada pelo marido, vai morar na Grécia, deixando seus dois filhos com o pai. Enquanto o irmão mais velho cultiva um rancor surdo, Léon pilha e faz uma bagunça danada na casa dos vizinhos que viajaram de férias, finge ter um problema na vista para justificar as péssimas notas no colégio, arma tramóias, manipula, faz seu pai e todos de bobos. Menos Léa, a jovem vizinha que percebe tudo e que, tendo ela própria contas a acertar com a vida, irá ajudar Léon a roubar o dinheiro para comprar uma passagem de avião para a Grécia.

Sinopse encontrada em: http://www.cinefrance.com.br/todos/?filme=2815

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